Pesquisadores da USP desenvolvem sensores que, instalados em veículos, mostram caminho e detectam problemas na pista.
Reportagem: Michel Lacombe

Denis Fernando Wolf e Fernando Santos Osório desenvolvem sensores capazes de assumir controle do veículo.
Através de sensores instalados no veículo será possível identificar os obstáculos ao redor e, também a existência no percurso de buracos e lombadas, por exemplo. Além isso, o automóvel do futuro poderá assumir o controle e tomar a melhor atitude, seja para escolher rotas ou até diminuir a velocidade, caso encontre no caminho algum problema.
A expectativa dos pesquisadores Denis Fernando Wolf e Fernando Santos Osório, responsáveis pelo trabalho, é que em um ou dois anos já se possa demonstrar o funcionamento dessa nova alternativa. Segundo Wolf, em um primeiro momento, o sensor deve notificar os riscos detectados e avisar o motorista. “ Em uma segunda etapa dos testes, os sensores poderão assumir o controle do veículo”, explica Wolf.
Para os testes, foi adquirido, pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia dos Sistemas Embarcados Críticos (INCT-SEC), parceiro do projeto, um carro elétrico, semelhante aos usados em campos de golfe, que atinge a velocidade máxima de 30 quilômetros por hora, possui espaço para duas pessoas e 30 quilos de carga. Antes do veículo, a pesquisa foi feita com robôs de menor porte. “Com eles, o trabalho já foi feito. Agora temos um carro, que é uma plataforma mais adequada”, afirma Osório. Segundo o pesquisador, os sensores são os mesmos utilizados nos primeiros experimentos.Como funciona
O automóvel terá um sensor inercial desenvolvido com laser de precisão que ficará na parte frontal do veículo. Esse aparelho dará uma leitura dos próximos 50 metros a serem percorridos, dentro da velocidade em uso e em um raio de 180 graus. Nada impede, porém, que o veículo tenha outro aparelho semelhante, na parte traseira, dando uma cobertura de 360 graus. Além disso, o veículo terá uma bússola; uma câmera, que captará imagens do trecho a percorrer; e um GPS, que informará a localização exata do veículo.
A autonomia da bateria do carro elétrico utilizado é de 12 horas. Para a recarga completa das baterias é necessário que elas tenham um período especifico de recarga, plugadas em uma tomada elétrica.
Atualmente, alguns veículos possuem sensores que facilitam o estacionamento. No entanto, Osório observa que o trabalho de colocar o carro dentro de uma vaga ainda é do ser humano, ou seja não é um serviço realizado por determinação do próprio veículo. No mais, o pesquisador destaca que esses sensores já existentes no mercado não são precisos. “Por isso nossa proposta é diferenciada”, finaliza.





