O carro do futuro já chegou

Pesquisadores da USP desenvolvem sensores que, instalados em veículos, mostram caminho e detectam problemas na pista.

Reportagem: Michel Lacombe

Denis Fernando Wolf e Fernando Santos Osório desenvolvem sensores capazes de assumir controle do veículo.

Denis Fernando Wolf e Fernando Santos Osório desenvolvem sensores capazes de assumir controle do veículo.

Graças aos Jetsons, desenho produzido pelos estúdios Hanna-Barbera na década de 1960, o imaginário popular sobre o carro do futuro era um só: eles não andariam por stradas, e sim flutuariam pelo espaço. Mas no século XXI, a visão não se confirmou em relação essa mudança radical, porém, em breve, motoristas terão uma nova lternativa de dirigibilidade proposta por pesquisadores do Laboratório de Robótica Móvel, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC), da USP São Carlos.

Através de sensores instalados no veículo será possível identificar os obstáculos ao redor e, também a existência no percurso de buracos e lombadas, por exemplo. Além isso, o automóvel do futuro poderá assumir o controle e tomar a melhor atitude, seja para escolher rotas ou até diminuir a velocidade, caso encontre no caminho algum problema.

A expectativa dos pesquisadores Denis Fernando Wolf e Fernando Santos Osório, responsáveis pelo trabalho, é que em um ou dois anos já se possa demonstrar o funcionamento dessa nova alternativa. Segundo Wolf, em um primeiro momento, o sensor deve notificar os riscos detectados e avisar o motorista. “ Em uma segunda etapa dos testes, os sensores poderão assumir o controle do veículo”, explica Wolf.

O carro elétrico utilizado na pesquisa.

O carro elétrico utilizado na pesquisa.

Para os testes, foi adquirido, pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia dos Sistemas Embarcados Críticos (INCT-SEC), parceiro do projeto, um carro elétrico, semelhante aos usados em campos de golfe, que atinge a velocidade máxima de 30 quilômetros por hora, possui espaço para duas pessoas e 30 quilos de carga. Antes do veículo, a pesquisa foi feita com robôs de menor porte. “Com eles, o trabalho já foi feito. Agora temos um carro, que é uma plataforma mais adequada”, afirma Osório. Segundo o pesquisador, os sensores são os mesmos utilizados nos primeiros experimentos.

Como funciona

O automóvel terá um sensor inercial desenvolvido com laser de precisão que ficará na parte frontal do veículo. Esse aparelho dará uma leitura dos próximos 50 metros a serem percorridos, dentro da velocidade em uso e em um raio de 180 graus. Nada impede, porém, que o veículo tenha outro aparelho semelhante, na parte traseira, dando uma cobertura de 360 graus. Além disso, o veículo terá uma bússola; uma câmera, que captará imagens do trecho a percorrer; e um GPS, que informará a localização exata do veículo.

A autonomia da bateria do carro elétrico utilizado é de 12 horas. Para a recarga completa das baterias é necessário que elas tenham um período especifico de recarga, plugadas em uma tomada elétrica.

Atualmente, alguns veículos possuem sensores que facilitam o estacionamento. No entanto, Osório observa que o trabalho de colocar o carro dentro de uma vaga ainda é do ser humano, ou seja não é um serviço realizado por determinação do próprio veículo. No mais, o pesquisador destaca que esses sensores já existentes no mercado não são precisos. “Por isso nossa proposta é diferenciada”, finaliza.

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