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Uso de luz no tratamento de câncer é realidade no Brasil

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Pesquisas desenvolvidas pelo professor Antônio Cláudio Tedesco, da USP de Ribeirão Preto, criam partículas fotossensíveis e já estão disponíveis em São Paulo e Brasília.

Reportagem: Michel Lacombe

O tratamento de alguns tipos de câncer passa por uma revolução no Brasil. As células doentes em interação com nanocarregadores contendo fármacos reagem quando as luz, permitindo um combate mais específico da doença. As pesquisas nessa área já estão disponíveis em alguns centros ambulatoriais e, também servem para outras doenças, como tuberculose e epilepsia.

O responsável pela pesquisa, cujo nome é “Utilização de nanocarregadores contendo fármacos fotossensíveis e outros ativos derivados de fatores de crescimento aplicados a processos fotodinâmicos”, é o professor Antonio Cláudio Tedesco, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP), da USP. Segundo ele, o ponto de partida para o desenvolvimento desse trabalho aconteceu quando voltou do pós-doutorado – o primeiro realizado em Harvard, nos Estados Unidos – no qual começou a trabalhar nas áreas de fotomedicina e fotobiologia. “Na década de 1990, essa pesquisa ainda era inédita no Brasil”, recorda.

Hoje, os fármacos, compostos por substâncias naturais ativados através da luz estão em sua quinta geração e o trabalho que, em um primeiro momento, se restringia ao câncer de pele, é aplicado não apenas na área da oncologia, mas também em outros tratamentos na área da neurologia ou ainda em doenças como a tuberculose. Com esse avanço, Tedesco conta que foi preciso desenvolver um sistema de distribuição do fármaco dentro do organismo, de forma a ser realmente absorvido. Foi nesse momento que essas partículas começaram a ser desenvolvidas em escala nano.

As células doentes são encontradas pelos nanocarregadores por terem afinidades. Com a união do medicamento a ela, a luz permite que ocorra uma mudança, que libera o radical livre que atuará no combate à doença.

Atualmente, esse tratamento está disponível no Estado de São Paulo, na capital e em Ribeirão Preto, e em Brasília (DF). Para 2010, estão previstos a abertura de outros dois ambulatórios, em Belém (PA), no primeiro semestre; e Manaus (AM), no segundo. “Já atendemos mais de 500 pessoas e eu espero que se amplie cada vez mais. Minha ideia é que exista um laboratório desses em cada hospital de referência no Brasil”, afirma Tedesco.

Essa pesquisa é uma das 20 que fazem parte do projeto da Rede Nanobiomed – “Avanços, Benefícios e Riscos da Nanobiotecnologia Aplicada”, o único entre os 38 aprovados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) que se dedica à Medicina. Tedesco comenta que sua expectativa dentro do grupo é que possa trocar experiências e que todos adquiram experiência para a composição das nanopartículas.

Todos os trabalhos de Tedesco estão com depósito de patente, algumas no Brasil e também no exterior. No entanto, o professor ressalta que a busca de parceiros para o desenvolvimento dos fármacos em escala industrial não é um processo simples. Ele conta que já passou por duas situações em que informações detalhadas de seu trabalho foram repassadas para empresas, os acordos não foram fechados e a tecnologia acabou por ser desenvolvida.. “Enquanto a indústria ‘suga’, ou seja tenta descobrir o máximo de informações da pesquisa para desenvolve-la sem a parceria do pesquisador, a universidade é morosa nesse assunto. É preciso tomar cuidado”, alerta.

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