Vidro eletrocrômico é alternativa para segurança e economia de energia

Reportagem: Ana Paula Vieira

Ao dirigir à noite, quantas vezes você perdeu a percepção visual quando cruzou com outros carros que utilizavam faróis altos? O ofuscamento nos olhos causado pelos faróis de outros veículos é uma das principais queixas nos acidentes noturnos.

De acordo com uma pesquisa do Instituto Federal do Espírito Santo (IFES), em 2008, somente no Estado, ocorreram 14.069 acidentes de trânsito com vítimas. Na cidade de São Mateus (ES), a porcentagem dos acidentes com vítimas que ocorrem durante a noite supera os 40%, e a incidência é maior no período entre 18h e 19h.

Agora imagine um para-brisas que escureça automaticamente ou após apertar um botão e seja capaz de proteger os olhos do motorista ao receber uma incidência de luz alta? Essa pesquisa já está sendo desenvolvida pela professora Agnieszka Joanna Pawlicka Maule do Instituto de Química de São Carlos (IQSC) da USP.

Os vidros eletrocrômicos, ou dispositivos eletrocrômicos, são considerados sistemas inteligentes. Eles são células eletroquímicas, ou seja, têm dois eletrodos separados por um eletrólito e ligados a uma pequena fonte de energia elétrica, que pode ser uma bateria. Os eletrodos podem ser compostos de vidros comuns recobertos por filmes finos transparentes. Esses filmes são óxidos de metais de transição, como óxido de estanho dopado com óxido de índio (SnO2-InO2, chamado comumente de ITO), trióxido de tungstênio (WO3), pentóxido de nióbio (Nb2O5), dióxido de cério e dióxido de titânio (CeO2-TiO2), entre outros.

Filmes finos de SnO2-InO2 conduzem corrente elétrica de modo semelhante aos metais e filmes de WO3 ou Nb2O5, e apresentam mudança de coloração de transparente para azul após aplicação de uma pequena voltagem (2V). “Esses dispositivos já existem no mercado, na forma de retrovisores eletrocrômicos, mas também há informações sobre aplicações na forma de tetos solares ou vidros em carros de luxo, porém eles têm um custo elevado”, afirma a pesquisadora.

Além da aplicabilidade nos vidros ou retrovisores de automóveis, os vidros eletrocrômicos podem ser usados nas fachadas de prédios e nas janelas das casas, gerando economia de energia. “Os vidros funcionam como uma cortina natural, que regula a entrada de luz e de calor no ambiente. Assim, podemos ter economia de energia elétrica e diminuir o uso do ar-condicionado”, explica.

A pesquisa também inova ao utilizar materiais biodegradáveis, de baixo custo e fácil obtenção. “Usamos polímeros naturais para serem aplicados nos vidros, como amido, derivados de celulose, DNA, gelatina e pectina, que não são prejudiciais ao meio ambiente”, diz Agnieszka.

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